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Localização: Esta tribo está localizada no município de Amarante do Maranhão, Estado do Maranhão. Há três aldeias: Aldeia do Governador, Rubiácea e Riachinho. A MNTB atua na aldeia Governador.
Língua, análise lingüística e traduções: A língua usada nesta tribo é a Gavião do tronco Macro-Jê, da família Jê. A língua portuguesa também é usada pelo povo. A análise foi feita por Stan Pries. Os materiais existentes na língua são: o Novo Testamento, está completo, porções do Velho Testamento; uma descrição fonêmica em inglês; uma gramática e um dicionário em português; uma série de nove cartilhas, uma pré-cartilha e outros livrinhos para o programa de alfabetização; livro de histórias Bíblicas. Obs: Somente o livro de Atos e o de histórias Bíblicas estão impressos.
População: A população é de aproximadamente 587 índios.
Histórico de contato com os demais brasileiros: O nome Timbira é designado para os grupos de índios Krahô, Kreyé, Krikati, Canela Apênekrá, Canela Ramkókamekra, Gavião do Pará (Parakateye) e Gavião do Maranhão (Pukobué). Portanto a história de contato dessas tribos não é muito diferente uma das outras. Conforme Darcy Ribeiro “Sobre os campos dos Tímbira avançaram criadores e rebanhos vindos de várias direções: dos sertões de Pernambuco e da Bahia através dos rios São Francisco e Parnaíba, numa lenta expansão que levara dois séculos para atingi-los; de Goiás, descendo pelas margens do Rio Tocantins, do Maranhão mesmo, avançando ao longo do vale do Itapicuru. A primeira onda fora a mais violenta. Saía das caatingas e lutava para conquistar campinas verdes e ricas de aguadas onde os rebanhos se veriam livres dos longos meses de estiagem e duas secas periódicas. Mas, diante dos Tímbiras, nada podiam simples vaqueiros, com os parcos recursos do curral. Para desalojá-los, o invasor se viu compelido a arregimentar-se em verdadeiros grupos de guerra, em bandeiras compostas de cem a duzentos homens, aliciados entre os sertanejos e postos sob o comando de um caudilho local. Eram organizadas oficialmente, com o apoio das autoridades, que até forneciam documentos legalizando a escravidão dos índios preados em combates, sob a alegação de que a Carta Régia que declarava guerra de extermínio e autorizava o cativeiro dos Botocudos de Minas Gerais era válida também para os Tímbira (...) Os Timbira só tiveram paz quando o governo imperial se interessou pela pacificação, destinando dotações para atender às despesas de aldeamento (...) O primeiro grupo timbira a confraternizar-se, procurou espontaneamente os civilizados, pleiteando aliança contra outro ramo da própria tribo que os havia derrotado numa guerra interna (...) Para os Tímbira, a paz com o invasor foi tão fatal quanto a guerra. O destino dos grupos que procuraram confraternizar-se com os civilizados foi às vezes ainda mais dramático que o dos simples chacinados (...) Em fins do século passado, quase todas as terras aproveitáveis já estavam controladas pelos criadores de gado. Os grupos Tímbira que não quiseram submeter-se tiveram que abandonar os campos fugindo para as matas (...) Com o tempo, vitimados pelas doenças e pela miséria, resultante, em parte, da redução do seu território de caça e de coleta, os Tímbira que ficaram nos campos diminuíram tanto que nem puderam mais fazer face à invasão dos poucos campos que lhes foram reservados, quando da pacificação”. Conforme relato dos índios mais velhos os quais viveram toda a sua vida nesta área e têm nela as suas recordações mais preciosas, evidenciam que mais ou menos há oitenta anos começou a ocupação da região quando foi construída a primeira casa de um não índio, sendo que nesta época o antigo Serviço de Proteção ao Índio, ainda não tinha nesta área nenhuma forma de atendimento aos índios. Com o passar dos anos a influência tornou-se mais acentuada com a infiltração de um número cada vez maior de não índios, formando um pequeno vilarejo que foi à base da cidade de Amarante do Maranhão. Com a citada ocupação à caça foi ficando cada vez mais escassa, à mata mais devastada com a exploração de venda de madeira, tornando a vida indígena cada vez mais difícil. Então começaram a surgir os cercados de arames, as criações de gado, cavalos, porcos e jumentos, os quais se espalharam cada vez mais pela região de caça dos índios, tornando difícil à aquisição da mesma. Os lugares onde os índios andavam livremente antes, passaram a ser propriedade privada. Atualmente a comunidade está localizada bem distante dos lugares tradicionais por que a invasão dos não índios devastou tudo, sendo que os índios para sobreviverem vivem nesta parte do município onde cultivam as suas tradições e costumes com o mesmo simbolismo dos seus antepassados.
Aspecto cultural: Como é típico do grupo Jê, os índios Gavião do Maranhão fazem suas aldeias em forma de círculo. Tiram uma parte do sustento das matas existentes na região. São semi-integrados à civilização. Sempre subsistiram da caça, pesca e de uma pequena lavoura, mas hoje dependem, em grande parte, de alimentos industrializados. As famílias vivem em casas próprias, algumas construídas de palhas ou de barro e cobertas de palhas. Às vezes os seus parentes vivem juntos na mesma casa. Os homens ajudam uns aos outros com o desmatamento para roças (sistema de derrubadas e queimadas) e depois trabalham individualmente. Alguns dormem em redes e outras em esteiras. Alimentam-se de caça e pesca, milho, jerimum, farinha de mandioca e frutas silvestres.
Histórico de contato da tribo com a MNTB: A MNTB iniciou esse trabalho em 1964.
Missionários que atuam na área: Arnold e Diane Kitchener Ivanaldo e Daisy Albuquerque Darlene Ida Gilbert
Fonte de Informação: Informação Básica/MNTB – 2002, pg. 29 Bancos de Dados da AMTB/2002 MNTB – Relatório/MNTB/2005 Ribeiro, Darcy - 1922. Os Índios e a Civilização: A integração das populações indígenas no Brasil moderno, 5. ed, Petropólis, Vozes, 1986, 57-64p. Diretrizes de levantamento de dados para elaboração de projetos/MNTB Povos Indígenas do Brasil—CEDI—1987/88/89/90, pg. 478- 479. |