Tribo Katukina
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Localização:
A MNTB trabalha na Reserva Indígena Campinas, que fica localizada na BR 364, no município de Cruzeiro do Sul, Acre. (1)
Língua, análise lingüística e traduções: A língua usada pelos que residem na Reserva Indígena Campinas é o Katukina-Juruá, da família Pano (2). Muitos falam o português, mas poucos o entendem perfeitamente. Os moradores na área indígena Campinas compreendem mais o português por causa do contato intenso com o povo da região. O grupo em Sete Estrelas não tem tanto contato, pois não há moradores perto da aldeia. A análise fonética teve início em janeiro de 1975, por James e Cheryl Ketcham (MNTB) e concluída por eles em fevereiro de 1976 e posteriormente modificada por Gerald Kennell em 1982. Gerald deu continuação à análise da gramática por alguns anos começando em 1981 e em 1985 escreveu uma gramática pedagógica que está sendo usada para acompanhar os estudos dos novos missionários Depois da entrada de Scott Kennell no trabalho a tarefa foi dada a ele. Também no começo da década de 80 Glória Kennell, junto com outros membros da equipe desenvolveu um jogo de cartilhas em katukina junto com livrinhos de trabalho para acompanhar as cartilhas. Gerald Kennell fez a tradução dos trechos do VT que acompanham os ensinos cronológicos, e em dezembro de 2000 concluiu o rascunho do NT. Ao mesmo tempo ele traduziu as lições cronológicas de todas as fases. Atualmente está sendo feita a retrotradução das escrituras para que possam ser verificadas e impressas, junto com as lições cronológicas. (3)
População: Existem quatro aldeias Katukina distribuídas entre os Estados do Acre e Amazonas, chegando a uma população aproximada de 400 índios. Na aldeia Sete Estrelas a população é de 50 índios, sendo que os demais residem na Reserva Indígena Campinas (4).
Histórico de contato com os demais brasileiros: “Os Katukina - assim como os demais grupos indígenas da região do alto Juruá - foram praticamente cercados quando se iniciou a exploração econômica da região, por volta de 1880, com a extração da borracha nativa. A região que habitavam, rica em caucho (Castilloa elástica) e seringueira (Hevea brasiliensis), foi imediatamente invadida por peruanos e brasileiros, que chegavam de lados opostos. Nos primeiros anos do contato com os brancos, os Katukina viveram um período de deslocamentos constantes, tentando escapar vivos das "correrias" - incursões cujo objetivo era eliminar as populações indígenas para liberação dos seringais -, organizadas por caucheiros peruanos e seringalistas brasileiros. Fugindo das "correrias", os Katukina dispersaram-se na região. Sem condição de se manterem reunidos, passaram a se deslocar pela floresta, vivendo da caça, coleta e de assaltos aos roçados que encontravam pelo caminho, pois não mais podiam fazer os seus, uma vez que seriam uma pista fácil que inevitavelmente levaria os brancos de volta até eles. Na primeira década deste século, cessaram as "correrias", em parte porque as árvores de caucho, que precisavam ser abatidas, esgotaram-se e também devido aos conflitos de fronteira entre o Brasil e o Peru, que foram resolvidos por um tratado em 1909. Contribuiu ainda com o fim das "correrias" a queda do preço da borracha no mercado internacional em 1912. As "correrias" tiveram um fim, porém os Katukina guardam com horror as lembranças transmitidas por seus pais e avós, que falam de fugas e desencontros pelas matas e são repletas de imagens de corpos mutilados e marcados pela violência. Com o povoamento da região, os Katukina tiveram o território em que moravam e sua população drasticamente reduzidos - também não podendo ser ignoradas as perdas populacionais ocasionadas pelas doenças que outrora não existiam entre eles. Sem outra alternativa, os Katukina acabaram por engajar-se na empresa seringalista, mas continuaram dispersos na região, pois tornou-se comum que cada família elementar se estabelecesse para trabalhar em um seringal diferente. Isso, evidentemente, estabeleceu uma ruptura em sua sociedade, já que não podiam mais organizar e partilhar suas vidas de acordo com seus próprios princípios e valores socioculturais. Neste vai-e-vem entre rios e seringais, a referência era sempre o rio Gregório, precisamente o seringal Sete Estrelas, para onde os Katukina sempre retornavam após períodos de duração variável em diferentes locais. Na década de 50, houve uma interrupção nos deslocamentos e a maior parte dos Katukina, se não todos, estavam reunidos no seringal Sete Estrelas. Na década seguinte ocorreu a cisão do grupo devido, por um lado, desentendimentos entre os Katukina, o chefe deles e o novo patrão do seringal para quem trabalhavam e, por outro, a desentendimentos com os Yawanawá, grupo indígena pano vizinho da aldeia do rio Gregório, com o qual as relações sempre oscilaram entre a hostilidade aberta e a amizade comedida. Em busca de mais um patrão e precavendo-se contra a eminência de conflitos com os Yawanawá, parte do grupo resolveu procurar outro lugar para morar. Acabaram estabelecendo-se por aproximadamente oito anos em um seringal próximo da foz do Riozinho da Liberdade, na fronteira dos estados do Acre e do Amazonas. Da década de 70 datam dois eventos que contribuíram de forma determinante na localização contemporânea das aldeias: a abertura da BR-364 (Rio Branco-Cruzeiro do Sul) e a chegada da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB) para atuar junto aos Katukina do rio Gregório. Somente em meados da década de 1980, após tantos anos de perambulação e deslocamentos, os Katukina viram garantidos o direito à posse do território onde habitavam e romperam os vínculos que os ligavam aos patrões seringalistas” (5).
Histórico de contato da tribo com a MNTB: A MNTB veio para esta área em março de 1972. Um grupo de missionários viajou de Eirunepé diretamente ao último Seringal no rio Gregório, localizando os índios desta região. O David e Laura Sharp, passaram a residir nesta área, onde trabalharam até 1981. Gerald e Gloria Kennell entraram no trabalho em 1980 e Scott Kennell em 1995, onde continuam desde então. (6) Em 2001 houve mais um desentendimento entre os Katukina e os Yawanawa, e por causa disso os katukinas abandonaram a área indígena Gregório, deslocando-se para a reserva indígena Campinas, onde se estabeleceram e o posto foi fechado. Em julho e agosto de 2003 foram construídas duas casas para missionários bem perto do limite da reserva e atualmente Scott Kennell está morando em uma das casas. Gerald e Gloria se estabeleceram em Cruzeiro do Sul e fazem visitas semanais à aldeia para continuar, junto com Scott, o ensino da Bíblia para os crentes Katukina. (7)
Missionários que atuam na área:Gerald e Gloria KennellWarren Scott Kennell, Robson e Elaiane Rocha Área Religiosa: Todas as fases do cronológico foram ensinadas aos moradores de Sete Estrelas. E março de 2005 foi concluído o ensino da primeira fase das lições cronológicas aos interessados na reserva Campinas. Havia um pequeno grupo composto de pessoas das quatro aldeias, que seguiam o ensino, e desse grupo, há alguns que têm demonstrado que aceitaram Cristo como salvador. (8)
Alvos:Começar a ensinar as lições para crentes novos e continuar ensinando todas as fases deste ensino,Estudo para alguns jovens interessados nas coisas práticas, tais como achar um versículo na Bíblia, etc.,
Fonte de Informação:Informação Básica/MNTB-2001 e Relatório de equipeBancos de Dados da AMTB/2002Relatório de equipe/Abril/2005Relatório de equipe/Abril/2005Lima, Edilene Coffaci de, Instituto Socioambiental, janeiro de 1999Relatório de Atividades Assistenciais/MNTB-1978Relatório de equipe/Abril/2005Relatório de equipe/Abril/2005Povos Indígenas do Brasil—CEDI—1987/88/89/90, pg. 280-281. |
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